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RESUMO Adaptado por um dos autores.

Trata-se de um trabalho de análise de viabilidade econômico-financeira de um Assentamento destinado ao Programa Nacional de Reforma Agrária, implantado no Estado de Goiás, distante aproximadamente 150 Km da capital do Estado. Os trabalhos desenvolveram-se em agosto de 2.003 no âmbito de uma perícia judicial onde um dos questionamentos era o valor real das terras e a viabilidade para destinação destas para assentamento rural.

Devido ao fato de cada lote do assentamento constituir-se numa unidade produtiva autônoma e a conseqüente falta de registros contábeis acerca de custos, quantidades produzidas e preços de venda, optou-se por analisar a viabilidade econômica e financeira do assentamento através da extrapolação dos resultados obtidos na análise da exploração de um de seus lotes.

Tal propriedade desenvolve atividades de pecuária de leite, cultivo de arroz, cana (produção de rapadura) e milho, numa área de 55,5798 hectares.

Procurou-se, com base nas informações coletadas a campo e em planilhas de custo das culturas,adaptadas para a agricultura familiar, recompor receitas e despesas obtidas entre 1999 (ano safra 99/00) e 2.002 (ano safra 02/03), para posterior confecção do Fluxo de Caixa do empreendimento e análise dos seus principais indicadores econômicos e financeiros, inclusive da Capacidade de Pagamento dos Créditos de Investimento recebidos do órgão executor da Reforma Agrária (INCRA) e também através das instituições financeiras operadoras do PRONAF (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar, concebido durante o primeiro governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso).

A renda bruta auferida no período analisado (1999 a 2002) foi da ordem de 2,75 salários mínimos por mês. A composição de custos da propriedade revela que as atividades não cobriam todos os custos de produção, sendo onerada, principalmente, pelos custos operacionais totais (70% do custo total).

Contudo, apesar da receita total situar-se muito próxima do custo operacional total (depreciações + desembolsos), o resíduo da atividade apresenta-se como POSITIVO, sem, entretanto, garantir a remuneração de 4% aa sobre o capital empregado (sem considerar juro sobre a terra).

Conclui-se que há a necessidade de se diluir o peso dos custos variáveis de produção, com aumento da produtividade, possivelmente com soluções que perpassam por uma melhor alocação dos recursos financeiros a tempo e a ora, com uso de assistência técnica efetiva (e não no papel), buscando a exploração de culturas e criações compatíveis com as habilidades de cada produtor e as aptidões regionais, sem se esquecer da devida adequação destas aos recursos disponíveis internamente (tipos de solos, topografia, clima, vegetação, recursos hídricos ,etc) e externamente (mercado, infra-estrutura,nível cultural, etc).

Finalmente, a análise do FLUXO DE CAIXA e da CAPACIDADE DE PAGAMENTO DOS INVESTIMENTOS, lançados nas planilhas eletrônicas de análise de projetos, demonstra que o produtor terá dificuldades em honrar seus compromissos financeiros e sobreviver exclusivamente de suas atividades rurais, sem subsídios;

As receitas operacionais obtidas são muito baixas e somente com uma maior produtividade, por exemplo, com maior número de animais disponíveis para venda (melhoria dos índices zootécnicos), a partir do sexto ano do projeto, é que receita operacional líquida alcança a faixa de 1,04 salários mínimos por mês equivalente a U$ 3,00/ dia.

Por: Márcio Sena Pinto
Artigo originalmente publicado em senapinto.com.br